O segredo de Júlia Zanatta

A deputada federal Júlia Zanatta (PL), guarda um segredo. Na primeira entrevista após as urnas indicarem vitória retumbante nas eleições deste ano, Júlia disse uma frase enigmática e que provocou a curiosidade no meio político: “O futuro de Santa Catarina tem nome e sobrenome e usa tiara na cabeça”. A declaração foi dada ao jornalista Juno César, o primeiro a entrevistar a deputada, para a Rádio Eldorado, após a estrondosa votação com mais de meio milhão de votos. A afirmação soou misteriosa e suscitou muitas teses de bastidores, incluindo a possibilidade de Júlia concorrer a cargos como o governo de Santa Catarina ou ao senado. Por ora, o planejamento do futuro político da deputada mantém-se em segredo mas não há como negar a força que ela mostrou nas urnas, alcançando inclusive votação muito superior a do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, Jair Renan Bolsonaro. A bolsa de apostas em Santa Catarina era que ele deveria ser o mais votado pelo nome que adotou na campanha: “Jair Bolsonaro”e o número 2222. Enquanto ele fez 131.555 votos, Júlia fez 560.223 votos. No cenário nacional, Júlia ultrapassou em percentual, Lucas Pavanato, eleito deputado federal por São Paulo e classificado entre os mais votados da história do Brasil. Lucas teve em percentual, 12,82% dos votos e Júlia Zanatta 13,15%.
Liderança

A votação do ex-prefeito Clésio Salvaro (PSD), em Criciúma ultrapassou a expectativa de 30 mil votos, consolidando a liderança dele mesmo após quase dois anos sem mandato. Foram 34.587 votos na cidade. Salvaro deixou a prefeitura no início de 2025 quando passou a faixa para seu sucessor, o atual prefeito Vaguinho. A campanha de Salvaro foi toda na região e no total ele alcançou 58.480 votos.
Marca

Entre as lideranças mais importantes da política do estado, o atual presidente da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, Júlio Garcia (PSD), alcançou votação expressiva para deputado federal. Conhecido pelo tom apaziguador e agregador, Júlio Garcia foi eleito quatro vezes presidente da Assembleia Legislativa, sendo três por unanimidade, e deixa sua marca na história da Alesc também por projetos como a Lei das Apaes, que mudou a realidade das Associações no estado. Fora do Tsunami do PL, que novamente tomou conta do cenário político em Santa Catarina, Júlio foi eleito neste domingo com 114. 391 votos.
Ex-governadores
O ex-governador Raimundo Colombo (PSD), cuja expectativa nos bastidores era de pelo menos 70 mil votos para deputado federal, alcançou 54.545 na eleição do último domingo. Enquanto isso, o ex-governador Moisés (União), ficou dentro da expectativa, com 33.712 votos, não suficientes para sua eleição como deputado federal.
Apoio para Flávio
Na entrevista que concedeu à Rádio Eldorado na manhã desta segunda-feira (5), o ex-prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, antecipou seu posicionamento para o segundo turno das eleições presidenciais. Salvaro manifestou apoio para Flávio Bolsonaro (PL) e disse que estaria colocando a partir de hoje, toda a equipe que trabalhou para a campanha dele em Criciúma, a serviço da eleição de Flávio Bolsonaro.
Descolou
Duas lideranças que entraram no cenário político pelas mãos do ex-prefeito Clésio Salvaro, se descolaram dele e conseguiram alcançar bom desempenho eleitoral neste ano. O presidente da Câmara de Criciúma, Neto Uggioni, ex-secretário do governo de Clésio, abraçou a campanha da deputada federal Geovânia de Sá, que trocou de partido, e pela primeira vez concorreu a um cargo eletivo sem o apoio de Salvaro. Geovânia alcançou 11.852 votos em Criciúma. Em 2022 foram 13. 598 votos.
Não chegou
O ex-secretário de Saúde de Clésio Salvaro, Acélio Casagrande, que em 2022 com o apoio do então prefeito fez 26.621 votos em Criciúma quando concorreu deputado estadual, neste ano experimentou mais uma derrota. Depois de perder a eleição em 2024, quando aos 45 do segundo tempo deixou o governo de Salvaro e foi vice de Ricardo Guidi, principal candidato de oposição, Acélio alcançou nas eleições deste domingo 8.325 votos em Criciúma. Ao todo, o candidato fez 13.958 votos, insuficientes para a almejada eleição como deputado estadual.
Histórico
Criciúma faz história com a eleição de seis deputados federais com base eleitoral na cidade, e a região sul faz história com a eleição total de sete dos 16 deputados federais. De Criciúma foram reeleitos : Júlia Zanatta, Daniel Freitas, Ricardo Guidi e Geovânia de Sá e eleitos Júlio Garcia e Giovana Mondardo. Da região José Milton Scheffer, com base eleitoral em Sombrio.
Mulheres
A Câmara dos Deputados terá mais mulheres de Santa Catarina após a eleição deste ano. Em 2022 foram eleitas cinco deputadas federais e em 2026 seis deputadas, sendo Júlia Zanatta a mais votada. A votação de Júlia Zanatta aliás, possibilitou legenda para a entrada de Daniel Freitas e Ricardo Guidi. A deputada também elegeu o marido, Guilherme Colombo, como deputado estadual com a campanha “voto casado”. A segunda mais votada também é uma mulher: Ana Paula Lima (PT), com 201.377 votos.
Na Alesc
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina também a partir de 2027 mais representantes das mulheres. Em 2022 foram eleitas três deputadas e em 2026 cinco deputadas sendo duas mulheres as mais votadas. Em primeiro Ana Campagnolo (PL), com 387.523 votos e em segundo Luciane Carminatti (PT), com 124.590 votos.
Jorginho líder absoluto

A eleição para o governo de Santa Catarina estava mapeada há algum tempo com vitória do governador Jorginho Mello no primeiro turno, o que se confirmou. Jorginho Mello alcançou quase 70% dos votos na eleição do último domingo consolidando uma campanha focada na apresentação de propostas e com estratégias bem definidas. Com Jorginho se consolidando através das pesquisas, que indicavam o cenário, a disputa acabou acontecendo pelo segundo lugar, e o segundo lugar foi conquistado pelo representante da esquerda, Gelson Merísio (PSB).
A missão de Merísio
Merísio nunca escondeu que estava concorrendo no estado principalmente para consolidar a esquerda e alavancar a votação de Lula em Santa Catarina. Tanto que adotou o lema “o candidato do Lula em Santa Catarina”. Com o segundo lugar no pódium, pode apresentar ao presidente a carta de “missão cumprida”, no primeiro turno. A conferir agora o segundo turno para a eleição presidencial, que acontece no dia 27 de outubro.
Retrovisor
O candidato ao governo pelo PSD, João Rodrigues, acabou perdendo o rumo durante a campanha eleitoral. Com governo aprovado em Chapecó e com o MDB e o PP em sua chapa, tinha ingredientes para ser competitivo. O candidato no entanto, não acertou o discurso e acabou não somente ultrapassado pelo governador Jorginho Mello, como se tornando invisível no retrovisor do primeiro colocado, ficando em terceiro no cenário eleitoral de Santa Catarina.
O STF na eleição
O STF foi essencial nas eleições deste ano não somente no Brasil, onde Flávio Bolsonaro chegou em primeiro lugar no segundo turno. Em Santa Catarina o “efeito STF” foi um dos fatores que pode ter resultado na “demissão” do senador Esperidião Amin, apesar de ele ter sido dos mais combativos quanto a desmandos de ministros assistidos nos últimos. Ocorre que tomou conta da maioria do eleitorado a ideia de eleição de senadores do PL ou alinhados ao bolsonarismo, para possíveis votos em impeachment de ministros do Supremo. Nesse ritmo, Santa Catarina elegeu Carlos Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro, e Carol de Toni, ambos do PL.


