Na entrevista que concedeu nesta tarde ao site, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Júlio Garcia, avalia que o Governador Moisés precisa trocar o time, vê a questão da compra dos respiradores como gravíssima mas estima que até agora não é uma situação que diga respeito à figura do Governador Moisés.
Na entrevista que fiz com o sr há mais ou menos um mês, o sr disse que não acreditava que o pedido de impeachment prosperasse na Assembleia. Naquela época penso que havia um ou dois. Hoje são cinco. O sr mudou de ideia?
Não, eu não mudei de ideia eu continuo pensando a mesma coisa. Eu acho que o impeachment, eu gosto muito de uma declaração do Ministro Barroso que diz que o impeachment não é um produto de prateleira que você possa lançar mão a qualquer momento. Quando o Constituinte de 88 esculpiu na Carta Magna o Instituto do impeachment, foi para situação extremas, gravíssimas…
E o sr não considera situação extrema essa de hoje, que está acontecendo?
Em relação a figura do governador, porque o impeachment não é o impeachment do Governo, é o impeachment do Governador… eu considero que em relação a figura do Governador não.
Essa questão toda dos respiradores, sob investigação, o sr considera uma situação grave?
Eu considero gravíssima. Pagamento antecipado no serviço público é uma coisa nefasta, indesejada, ainda que estejamos em Estado de Calamidade. Mais grave do que isso, é para quem se paga. Pagar antecipado já é grave, dependendo de quem se paga é mais grave ainda.
Mas se essa é uma situação grave então o sr. considera que o Governador não tem a ver com essa situação…
É uma situação gravíssima do Governo. Não é uma situação que diga respeito individualmente à figura do Governador até onde se tem informação. Até aqui.
O sr chegou a afirmar em uma das entrevistas que concedeu nesta semana que a situação do impeachment é para casos graves e extremos mas avaliou que política é como nuvem, como diria Magalhães Pinto. O sr acha que esse cenário pode mudar?
Sim eu confirmo novamente. Realmente política é dinâmica, e citei esse ensinamento do político mineiro Magalhães Pinto que política é como nuvem, muda tudo muito rapidamente, as coisas mudam muito rapidamente né? O governador Moisés terminou o ano de 2019 navegando em mar de almirante, hoje navega sob turbulência.
E essa turbulência só se sabe o resultado após o término da CPI e das investigações…
Depois de terminadas as investigações, tanto pelos órgãos competentes, quanto pelo Ministério Público que também está investigando, quanto pela CPI que também está cumprindo seu papel.
O sr também afirmou em uma das entrevistas que concedeu ao logo da semana, que o Governador precisa trocar o time. Qual setor é o mais urgente para troca na sua avaliação?
Tem que mexer em quase tudo. A equipe não é eficiente, não demonstrou eficiência durante esse período. O governo Moisés, dos Governos que acompanhei foi o que teve a maior carência, que é o período da posse até o Governo deslanchar, se arrumar, se compor, entrosar, tomar as primeiras medidas até a implementação de seu plano de governo. Foi a maior carência. Foi uma carência de um ano, uma carência muito grande. Teve a compreensão da Assembleia e da Sociedade. A partir daí, as cobranças são inevitáveis. O governo é burocrático, lento e ineficiente. Por isso acho que a solução para o Governador é fazer uma reformulação total na sua equipe.
O sr inclui nessa reformulação também o Secretário da Casa Civil, Amândio da Silva, que assumiu recentemente a pasta?
Difícil você indicar né? Mas a equipe como um todo é ineficiente. Individualmente eu não gostaria de fazer nenhuma citação.

