O eleitor de Criciúma é inteligente. Não vai votar em candidato só porque o presidente pede, diz Salvaro - Karina Manarin

O eleitor de Criciúma é inteligente. Não vai votar em candidato só porque o presidente pede, diz Salvaro

O prefeito de Criciúma, Clésio Salvaro, do PSDB, afirma que só vai falar de política após a convenção, marcada para junho, porque o foco agora são estratégias para evitar demissões e retomar a economia em razão da questão coronavírus.

Na entrevista que concedeu ao site no entanto, Salvaro alfineta possíveis adversários que devem representar o presidente Jair Bolsonaro e o Governador Moisés afirmando não acreditar que as pessoas votem em um candidato a prefeito porque o presidente ou o governador pede.

“Eu não acredito nisso, principalmente na minha cidade que o eleitor é muito inteligente”, enfatiza. Salvaro avalia que Carlos Moisés ainda não começou a governar e responsabiliza a ele e aos governadores de São Paulo, João Dória e do Rio de Janeiro, Witzel além do presidente Bolsonaro pela “ quebradeira no mundo econômico”.

O motivo apontado é que todos levaram em consideração a questão político-partidária e não priorizaram formas de conter o coronavírus e contornar o problema econômico. Para o prefeito, todas as atividades, inclusive transporte coletivo, escolas e creches deveriam voltar a funcionar após o máximo de quinze dias de quarentena.

Salvaro respondeu também a questão relativa a contrato da prefeitura com empresa para limpeza de ruas e postos de saúde sem licitação, na ordem de R$ 600 mil, para o combate ao coronavírus.

O prefeito aposta ainda que as eleições vão acontecer nesse ano, conforme previsto no calendário eleitoral.

CONFIRA A ENTREVISTA:

 Sua previsão quanto a questão do coronavírus. Quando isso começa a caminha para a normalidade?

Primeiro dizer que o município de Criciúma foi talvez o primeiro município do Brasil a tomar as medidas preventivas. Muito antes do Governador do Estado baixar um decreto com medidas restritivas, em criciúma já tínhamos começado a preparar e já estava pronto aliás, um Centro de triagem. Depois fizemos outro, depois começamos a fazer a higienização das ruas. Discutimos com todos os segmentos organizados a sociedade. Desapropriamos a Casa de saúde de Rio Maina, transformamos aquele ambiente para 172 leitos de retaguarda, sem um centavo do Governo do Estado…

O sr considera que o Governo do Estado pecou quando não tomou esse tipo de atitude?

Acho que o Governo do Estado, o Governador ficou dentro do Palácio da Agronômica, ouvindo altos funcionários, ganhando bem, sem ouvir a população que produz. A falta de conhecimento da política econômica do Estado, permitiu uma série de equívocos. A quarentena, era necessária para se conhecer um pouco melhor o coronavírus, mas isso é um tempo, de dez ou quinze dias, depois tem que voltar à normalidade com o resultado dos conhecimentos ali adquiridos. Uso de máscaras, distanciamento… mas o que faltou mesmo foi uma voz forte de Brasília que pudessem os governadores e os prefeitos seguir, de forma vertical, essa liderança…

Então o sr avalia que o presidente Bolsonaro também não agiu bem…

Não. Erraram, ficaram discutindo política partidária, e aí eu incluo que o Dória errou muito, o Bolsonaro errou muito, o Witzel, do Rio de Janeiro também errou e todos que ficaram discutindo política-partidária em cima do vírus erraram… e são eles os responsáveis pelas consequências.

E quais são as conseqüências?

A quebradeira no mundo econômico. O achatamento de forma não pensada dessa doença. Na verdade  sentimento é o seguinte: que nós vamos pegar o vírus nós vamos pegar mas não podemos pegar todos juntos. Mas também não podemos permitir que esse vírus fique muito tempo convivendo com ele, com essas medidas restritivas. Senão, onde vai parar a economia. A indústria, o comércio, o profissional liberal, é preciso voltar ao trabalho. O poder público, e aí eu vou dizer o Bolsonaro, o Moisés e o prefeito Clésio Salvaro, nós somos sócios das indústrias e do comércio em 40%. Nós podemos quebrar esse nosso parceiro que trabalha e produz. Nós vivemos dos impostos que o cidadão paga.

E o que o sr pode fazer em Criciúma por esse cidadão que paga imposto e que teve esse problema?

O que nós podemos fazer é assim, nós estamos trabalhando desde o dia 6 de abril. Nossa quarentena terminou no dia 6 de abril. Depois do dia 6 de abril pra mim tudo deveria voltar ao normal, com os cuidados que tem que se ter…

Inclusive empresas de ônibus?

Claro, creche, escola, tudo deveria voltar ao normal. O grande erro do Governador Moisés foi querer ser o prefeito dos prefeitos. Ele deveria fazer como fez o ratinho Junior, como fez o Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul… compartilhou a responsabilidade com os prefeitos. O prefeito toma as decisões que melhor achar para a sua cidade. Tanto é que falando em números per capita, o estado do Paraná e do Rio Grande do Sul tem menos mortos que Santa Catarina. Porque a política daqueles dois estados foi mais acertada que a nossa. Tu não pode comparar o município de Criciúma com Treviso. São realidades totalmente diferentes… o município de Ermo com Joinville.

O sr considera que o Governador Moisés termina o mandato?

Ele foi eleito por um período de quatro anos. O que eu desejo é que ele comece a governar o mais rápido possível.

E o Bolsonaro… essa movimentação toda Moro Bolsonaro…

Sobre isso eu só lamento. O Bolsonaro foi eleito com musculatura suficiente para aprovar as Reformas que o Brasil precisa e infelizmente ele não aprovou uma única Reforma que fosse trazer benefício para a população. Ah aprovou a Reforma da Previdência. A Reforma da Previdência só atingiu quem produz, só atingiu os do Regime Geral da Previdência… ela não atingiu os altos salários, não mexeu nos altos privilégios. Então, o que eu queria do presidente da República, que eu votei no segundo turno, é que ele realmente promovesse as mudanças que o Brasil precisa.

Bolsonaro foi eleito em uma onda que elegeu o Governador de Santa Catarina, elegeu muitos deputados que teoricamente não teriam o potencial para estarem eleitos. O sr considera que nessa eleição municipal os candidatos bolsonaristas vão ter esse mesmo reflexo?

Primeiro o Moisés não foi eleito, ele foi votado. Há uma diferença muito grande entre ser eleito e ser votado. As pessoas votaram nele. Por acaso, o dono do número 17 era o Moisés. Eu acho que o eleitor é muito sábio em separar as coisas. Uma coisa é o governo de sua cidade. Outra coisa é governar a nação. Essa onda de 2018 ela foi muito forte mas até o eleitor votar em um candidato porque o presidente ou o governador está pedindo me parece muito difícil. Eu não acredito nisso, principalmente na minha cidade que o eleitor é muito inteligente.

 

Aqui em Criciúma, temos um cenário eleitoral com alguns pré-candidatos colocados: Júlia Zanatta, do PL, Bolsonarista, Júlio Kaminski do PSL do Governador Moisés, Chico Balthazar, do PT, Rodrigo Minotto do PDT ensaia uma candidatura… quem é seu adversário hoje?

Meu adversário hoje continua sendo o covid-19 e a retomada da economia. Eu não tenho pensado em campanha eleitoral.

O sr considera que vai ter eleição em outubro?

Claro, tem que ter. Nós fomos eleitos para o mandato de quatro anos. O calendário eleitoral está sendo seguido. E sobre as eleições, quero falar depois das convenções. Agora é a retomada do crescimento. Esse é meu grande desafio. Acho que o momento agora não é do adversário político. Seria o momento dos adversários políticos se unirem para vencer os grandes desafios que estamos enfrentando.

Qual o maior desafio?

Conviver com o vírus, buscar imediatamente a retomada do crescimento econômico, ultrapassando esse período para evitar as demissões. Esse é o momento dos adversários se unirem por isso todas as vezes que apresento projeto à Câmara sobre esse assunto, converso com todos os vereadores. Não há adversário maior do que vencer o vírus e fazer a economia voltar a crescer. A continuar como está, com essa política adotada sem critério científico, sem fundamento técnico vamos quebrar o capital catarinense.

 Mesmo assim, nesse cenário todo, o sr continua com seu nome colocado para a reeleição…

Eu acho que aquele que está no comando, independente do prazo de admitir ou não seu processo para a reeleição… a reeleição é constitucionalmente permitido e você não ir disputar a reeleição é sinal que você mesmo não aprova seu governo. Como tenho certeza que meu governo é um governo realizador, composto por pessoas comprometidas, que tem o apoio da maioria esmagadora da população, eu entendo que devo ir. Se eu não admitir a reeleição, estou admitindo o fracasso desse governo.

 O sr e seu partido definiram que nessa eleição não será utilizado o Fundo Partidário. Como funciona isso prefeito?

Nós tomamos essa decisão, mas nada contrário a quem decidir utilizá-lo. Não é uma estratégia, é um sentimento nosso, procurar fazer uma campanha em cima de propostas, em cima daquilo que fizemos e daquilo que podemos fazer

Mas uma campanha precisa ser financiada de alguma forma. Como seria?

Nós falamos que nós abrimos mão do recurso público do Fundo Partidário. Nós não abrimos mão de buscar recursos para a campanha, de forma legal, através da vaquinha eletrônica, através de outros meios, como promover eventos enfim.

Prefeitos nesse episódio do coronavírus também foram levantadas questões relativas ao emprego dos recursos para o combater. Aqui em Criciúma um vereador entrou com requerimento na Câmara questionando o contrato que vocês fizeram para a limpeza de ruas e postos de saúde sem licitação e com custo  de R$ 600 mil…

Olha primeiro, eu não vou entrar nessa discussão do vereador porque eu sei que esse é um ano político, um ano eleitoral e aí a única alternativa que tem é atacar o governo. Não vou entrar nesse debate. Isso, os vereadores do Governo, principalmente nosso líder, tem todas as ferramentas para desmenti-lo. A bem da verdade, nós criamos uma comissão de suprimento e logística do coronavírus, capitaneado pelo meu vice-prefeito Ricardo Fabris e criamos uma comissão composta por uma ou duas pessoas que representam o Executivo, o Observatório Social, acho que a OAB também faz parte e dois representantes do Legislativo. Sendo que eu pedi para que os vereadores do PSD e do PSDB não participassem. Que deixassem os de oposição fazer parte. Portanto, se o vereador Ademir quer saber sobre esse contrato, ele pode perguntar para o vereador do MDB, Paulo Ferrarezzi, que faz parte da comissão. Fica melhor.

 

 

 

 

 

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