Fim da escala 6x1: Avanço do tema a toque de caixa e em ano eleitoral preocupa, alerta Acic - Karina Manarin

Fim da escala 6×1: Avanço do tema a toque de caixa e em ano eleitoral preocupa, alerta Acic

Questionada pelo blog, a Acic, Associação Empresarial de Criciúma,  se manifestou sobre a proposta que trata do fim da escala 6×1 em discussão no Congresso Nacional. No texto, destaca a preocupação principalmente com a forma como o assunto está em condução, com pressa e em meio a uma disputa eleitoral.

“Uma decisão com esse impacto não pode ser guiada pela pressa ou por conveniências políticas, mas por dados, equilíbrio e análise dos efeitos reais sobre empresas, trabalhadores e a economia”, diz um trecho da nota.

A Acic também destaca que o impacto não será igual para todos os setores. “Enquanto parte da indústria já atua no modelo 5×2, comércio, serviços, pequenas e médias empresas e atividades de atendimento contínuo terão desafios importantes para se adaptar. A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, vai elevar custos, exigir novas contratações, pressionar preços e ampliar o risco de informalidade”, alerta.

Veja o texto na íntegra:

A Acic acompanha com preocupação o avanço da proposta que trata do fim da escala 6×1 e da redução da jornada de trabalho. Reconhecemos que a discussão sobre qualidade de vida e modernização das relações de trabalho é legítima, mas uma mudança estrutural dessa dimensão precisa ser conduzida com estudo técnico, diálogo e responsabilidade.

Também preocupa o fato de o tema avançar em ano eleitoral. Uma decisão com esse impacto não pode ser guiada pela pressa ou por conveniências políticas, mas por dados, equilíbrio e análise dos efeitos reais sobre empresas, trabalhadores e a economia.

O impacto não será igual para todos os setores. Enquanto parte da indústria já atua no modelo 5×2, comércio, serviços, pequenas e médias empresas e atividades de atendimento contínuo terão desafios importantes para se adaptar. A redução da jornada de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, vai elevar custos, exigir novas contratações, pressionar preços e ampliar o risco de informalidade.

Além disso, o prazo de transição de apenas um ano, divulgado nesta segunda-feira, aumenta ainda mais a preocupação do setor produtivo. Estamos falando de uma mudança que exige reorganização de escalas, revisão de processos, busca por mão de obra e, em alguns casos, investimentos em automação. Tudo isso exige tempo, planejamento e condições econômicas adequadas.

Na nossa região, onde já há dificuldade de encontrar mão de obra, esse impacto precisa ser analisado com ainda mais cuidado. A automação, muitas vezes apontada como alternativa, também não acontece da noite para o dia. Ela exige investimento, financiamento, análise de viabilidade e um período de adaptação, especialmente em um cenário de juros elevados.

A preocupação da Acic é que uma mudança feita de forma acelerada gere aumento de preços, perda de competitividade, redução de investimentos e impactos sobre a geração de empregos. No fim, quem acaba pagando essa conta é a própria sociedade.

A Acic, alinhada à Facisc, defende que qualquer mudança nas relações de trabalho seja construída com equilíbrio, segurança jurídica, tempo adequado de transição e participação efetiva do setor produtivo. O caminho mais adequado é o diálogo, a livre negociação e a construção de alternativas que preservem empregos, empresas e o desenvolvimento econômico.

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