Urussanga e Getúlio Vargas; Vai ter Reforma Administrativa; Fura-fila na saúde: O que disse a prefeita Stela Talamini - Karina Manarin

Urussanga e Getúlio Vargas; Vai ter Reforma Administrativa; Fura-fila na saúde: O que disse a prefeita Stela Talamini

O que Urussanga, município no Sul de Santa Catarina, tem a ver com o ex-presidente da República, Getúlio Vargas? O vinho Goethe produzido na cidade tornou-se a bebida oficial do Palácio do Catete durante o governo dele como presidente da República em 1942.

A produção a época era em sua maioria da Vinícola Caruso MC Donald, com 50 tinas a céu aberto e capacidade para armazenar 2,5 milhões de litros de vinho. As ruínas da vinícola sobrevivem ao tempo e o local foi desapropriado pela prefeita Stela Talamini que planeja ali um parque e uma área de preservação da história do município, com a uva Goethe como impulsionador do Turismo na cidade.

Na entrevista que concedeu ao blog, a prefeita falou sobre o projeto mas também discorreu sobre outros assunto, como a Reforma Administrativa na prefeitura, prevista para esse mês de outubro e que deve ocasionar terceirizações no Paço Municipal.

Na pauta também a denúncia de fura-filas na secretaria de saúde e que ocasionou a saída do secretário, obras para o município e incentivo à indústria. A prefeitura está oferecendo cursos do Senai, reivindicação da Indústria e a Secretaria de Assistência Social atua junto aos jovens, incluindo os de família atendidas pelo Bolsa Família, para incentivá-los a fazer os curso.

Prefeita de Urussanga Stela Talamini

Confira na íntegra: 

Entre os focos que a senhora tem para a cidade está o turismo e a senhora desapropriou um local aqui onde acredito que seja uma das vinícolas mais antigas da região, se não de Santa Catarina. Qual é o projeto para aquele local?

Nós queremos buscar um pouco mais de informação em relação a ela ser uma das mais antigas de Santa Catarina, acredito que até do Brasil. Agora, nesse momento eu posso afirmar, ela é única. Por que ela é única? Porque ela tem 50 tinas feitas de tijolos maciços.Por exemplo, quem teve oportunidade de conhecer a cooperativa Aurora em Bento, ela tem várias tinas. Algumas de madeira, hoje muitas são de tanques de inox, mas daquele modelo eu desconheço, fiz alguma pesquisa. Não foi uma pesquisa profunda, mas fiz uma pesquisa, não existe. Então ela tem essa peculiaridade.

E a história? Porque dizem que o vinho que era produzido aqui em Urussanga abastecia o Palácio do Catete no Rio de Janeiro…

Isso, e provavelmente abastecia muitas regiões do Brasil. Temos notícia até do Nordeste. Essa vinícola, que é a Caruso Mc Donald, tinha uma capacidade de armazenamento dessas 50 tinas de 2 milhões e meio de litros de vinho. Então ela foi a primeira vinícola industrial da nossa região. Getúlio Vargas era um grande admirador do vinho Goethe. E ele era tão admirador que viabilizou a construção desse centro de pesquisa que temos em Urussanga, que hoje é a Epagri , na década de 40.Então isso foi quase um presente para Urussanga por conta do nosso vinho que era admirado pelo presidente Getúlio Vargas.

E qual é o projeto para esse local, essa vinícola que foi desapropriada?

Giuseppe Caruso McDonald, ele foi o que trouxe esse tipo de uva para o Urussanga. Era uma uva que veio da Califórnia, foi tentado produzir em São Paulo, não deu certo. Veio para a nossa região, se adaptou, mas ela também sofreu uma mutação aqui. Que hoje nós temos o Goethe Premium. Então, que ele ainda tem um sabor um pouco mais diferenciado. Por isso que ela é única no mundo e está aqui. Ela é rara e única por ser o único lugar do mundo que ela produziu naquelas características ali. Essa vinícola, quando nós assumimos o governo, o entorno dela tinha ido para um leilão. E o próximo lote era onde está a vinícola. Então, pode ser que isso fosse ainda levar alguns meses para acontecer, mas naquele momento estava nas nossas mãos essa responsabilidade de salvar a vinícola. Então, a gente iniciou um processo silencioso de tombamento para proteger essa vinícola. No mês de fevereiro ele já estava registrado, mas ele se efetivou com decreto no mês de junho. Então, nós conseguimos fazer o tombamento a nível municipal  e agora já tem todo o encaminhamento para que ela se transforme estadual. Ela tem todos os requisitos para ser um patrimônio tombado pelo IPHAN nacional. Pela raridade, por ser praticamente a única naquele modelo e com aquela composição de tinas. Logo após isso, nós fizemos a desapropriação da vinícola e do entorno. O entorno é uma área verde muito significativa. Nós vamos poder fazer mais um parque. Urussanga tem o Parque Ado Cassetari Vieira e então, vamos ter no futuro um outro parque. A ideia agora é adquirir e fazer ruma Parceria Público Privada para que alguém possa fazer um investimento e com período definido poder explorar esse espaço, de forma comercial mas também Turística para Urussanga.

A Uva Goethe teve agora a Denominação de Origem que é mais uma conquista. Com essa denominação de origem e toda essa história da Uva Goethe, essa é a bandeira de turismo no município?

Nós entendemos que sim, porque Urussanga está inserida nos vales da Uva Goethe. Então, mais uma vez, essa uva é uma raridade, só tem aqui. Nós temos oito municípios, sendo que alguns têm produção de uva e outros estão inseridos, mas só tem a cantina. Eu vou dar como exemplo Orleans que  pode produzir o vinho Goethe, mas não pode plantar. Porque aquele território não tem as características que a uva Goethe precisa. Então, que isso deva ser uma bandeira dos vales, uma bandeira dessa região. E depois cada município trabalha com as suas particularidades.

Além dessa questão do turismo, a senhora também buscou outras questões como a Rodovia dos Mineiros que é uma reivindicação antiga. O que a senhora citaria como as três principais obras que a  conseguiu encaminhar ou realizar nesse governo até agora?

Olha, eu acredito que pelo tempo que a gente está nessa governança, nós avançamos muito. Vamos pensar a rodovia dos mineiros. São 50 anos que ela é reivindicada e nós, em oito meses de governo, conseguimos trazer isso, sensibilizar o governo do Estado para que ele pudesse investir nessa rodovia. Então, 50 anos, em oito meses a gente conseguiu. Então, foi um esforço coletivo, mas quem levantou a bandeira para que isso acontecesse fomos nós. Foi o município de Urussanga, foi a gestão atual, foi a nossa gestão. Então, a Rodovia dos Mineiros é uma grande conquista. Poder alavancar a questão do turismo valorizando o que nós temos, a questão do patrimônio, a questão da vinícola Caruso-McDonald, principalmente esse tombamento e essa desapropriação é uma grande conquista. E posso dizer que agora é abrir caminhos para os municípios. Vamos agora levar o asfalto junto com o asfalto que está vindo de Pedras Grandes, abrir essa porta de entrada para o município de Urussanga, isso vai ser importante. Então, nós vamos abrir duas frentes, uma porta de entrada da BR-101 para Urussanga e uma de Urussanga para Serra. Então, para que a gente crie esse canal de turismo dentro do nosso território. Então, foram obras significativas. Temos outras, agora vamos estar investindo na Estrada Boa Rural, junto com o governo do Estado, vamos pavimentar duas comunidades extremamente importantes, que é a comunidade do armazém, onde nós temos a maior produção de frutas e também de fumo, principalmente de frutas. Queremos trabalhar a questão do turismo rural, o turismo de experiência, que é as pessoas poderem colher no pomar o maracujá, a pitaya, o pêssego, a nectarina. E nós temos isso no nosso território. Uma outra estrada que vai ser pavimentada, que vai ser muito importante turisticamente e economicamente: nós vamos dar continuidade do Rio América ao Belvedere. Existe todo um potencial turístico ali, principalmente com pousadas, com chalés para turismo rural. Então, são duas frentes que vão viabilizar o turismo rural na nossa região.

A indústria também entra nessa questão do seu planejamento?

A gente fala muito em turismo mas a gente não vai esquecer, de forma alguma, a questão da indústria, da agricultura, que eu acabei de falar. O comércio vai ser consequência de tudo isso. Então, nós estamos investindo agora, principalmente na iluminação do trajeto da rodovia Genésio Mazon, são praticamente cem lâmpadas, que vai do nosso centro, aqui do trevo de entrada, até os limites do município. Estamos agora ofertando, através do Senai, cursos profissionalizantes, cursos de capacitação. Duas demandas que vieram da indústria, a indústria foi consultada, então é elétrica industrial, e, usinagem, para atender demandas da indústria, mas também com um olhar para a nossa juventude. Que juventude que a gente convida para estar fazendo o curso? Jovens que estão frequentando o ensino médio, jovens que também são atendidos, famílias atendidas com o Bolsa Família, para que a gente consiga levar esse jovem a ter uma profissão. Para que ele possa ter a sua renda, a sua profissão e economicamente não ser mais dependente do Bolsa Família.

E tem algum processo que está sendo feito nesse sentido, de chamar esses jovens também que são atendidos pelo Bolsa Família?

A Secretaria de Assistência Social está fazendo esse trabalho junto com esse jovem.

Prefeita, quando eu entrevistei a senhora, assim que a senhora foi eleita, antes da posse ainda, a senhora me disse que durante a campanha tinha um setor que exigia atenção da Prefeitura, que era a Secretaria de Saúde. Que a senhora faria projetos. E a senhora colocou na Secretaria o Luan, o vereador mais votado, do seu partido, que acabou tendo um problema. Como é que está essa questão hoje na Secretaria de Saúde? Como é que a senhora vê essa situação de alguém que é um correligionário e em quem a senhora depositou confiança?

Então, nós realmente colocamos um vereador do partido que acabou tendo um problema de uma denúncia. Essa denúncia está sendo apurada até hoje, já passou por um PAC, antes disso passou por um processo administrativo e nenhum deles conseguiu, com todos os depoimentos, com todas as provas, dizer efetivamente que ele fez, que ele teria feito esse fura-fila. Há um depoimento de uma enfermeira, mas não tem mais nada que ajude a reforçar tudo isso. Então, a gente deu autonomia para que o PAD pudesse fazer todas as investigações. São três profissionais que são estatutários, são concursados, têm autonomia para fazer, nós não interferimos em nada. Então, eles têm treinamento para isso, fazem curso para isso. Então, esse PAD nos apresentou um relatório onde não havia esse comprometimento do vereador. Mas, de qualquer forma, quando isso veio à tona, houve esse afastamento do vereador e nós convidamos para assumir essa secretaria uma enfermeira também de carreira do quadro. É uma excelente profissional, está fazendo um bom trabalho. Nós já conseguimos fazer três movimentos, eu diria, multirões. Estamos minimizando filas, algumas nós já zeramos, porque havia espera por alguns exames desde 2018. Então, pensa que nós estamos em 2025. Se a pessoa estivesse com alguma situação para poder fazer um tratamento, estava difícil. Eu acredito que nesse momento, ainda não tenho a última conta, nós devemos estar em torno de quase 5 mil exames, entre exames e consultas entregues. Em nove meses de governo. Claro que muitos desses exames ainda vão acontecer até o final do ano, porque a gente vai lá e faz uma compra. Mas nem sempre o laboratório, nem sempre a clínica consegue atender uma demanda tão grande em pouco tempo. Porque eles não atendem só Urussanga. Eles atendem o particular, eles atendem o convênio, eles atendem os planos de saúde. Então, é feito a compra, mas é uma compra que se dilui, às vezes, ao longo de 4, 5, 6 meses. Mas está acontecendo. Então, eu acredito que zerar, zerar, tu nunca zera, porque todo dia tem novas demandas. Mas que nós… Nós vamos ficar com filas de espera muito pequenas. Nós queremos trabalhar nessa perspectiva.

Já que falamos  de secretariado, a senhora tem algum plano de mudança de secretariado, reforma administrativa ou continua tudo como está?

Reforma administrativa nós estamos concluindo. Eu achava que ia terminar em maio, mas não foi possível. Por quê? Porque nós temos muitas leis remendadas, muitas. Às vezes, quando a gente quer, precisa de uma orientação, a gente tem que pegar três, quatro leis. Então, nós estamos fazendo toda uma reforma nesse sentido. No dia 30 de dezembro, recebi do Tribunal de Contas um relatório com 75 páginas e  tenho que seguir esse relatório. Toda semana eu tenho que fazer uma entrega. Toda semana. Eu tenho dever de casa toda sexta-feira, eu tenho uma demanda para ir atendendo. Ainda não demos conta das 75 páginas.

Mas isso é o que é uma adequação do Tribunal de Contas?

Isso.

Referente a que por exemplo?

Há várias coisas aqui, tributárias, de recursos humanos, várias. Então, essa reforma acabou atrasando um pouco também, porque eu tenho que estar olhando para a reforma e olhando para as demandas do relatório. Então, o que o relatório diz? Ah, mas aqui nessa secretaria era necessário criar mais essa função, que nem sempre é cargo comissionado. Às vezes são funções para concurso mesmo, mas aqui diz que eu não posso. Então, é um olho aqui, um olho ali, para a gente fazer uma reforma administrativa que realmente possa contemplar a gestão do município por muitos anos.

E a senhora projeta aqui quando deve concluir a Reforma?

Outubro, ela já está praticamente pronta. Nós fizemos mais uma passada nela semana passada. Cada função vai exigir o que determina aquela função.

Vai mudar o número de secretarias?

Não, as secretarias são as mesmas. Vamos eliminar muitas funções. Vamos criar outras. Hoje, passando os olhos, eu acho que vai ficar menos. Porque também a gente vai terceirizar alguns setores. Vamos terceirizar vários setores. E acredito que ela vai ficar bem equilibrada. Então, agora nós estamos vendo quais são as competências de cada função. Fique muito claro que quando uma pessoa ocupar, é isso, isso. Que também foi uma correção que o Tribunal de Contas fez. Porque ele cortou várias coisas que nós tínhamos, várias funções, porque não havia o que cabia àquela função. E tem funções que eram muito importantes que nós vamos trazer à tona. Por exemplo, vou dar um exemplo. Um coordenador de frotas. Cortaram todos. Para nós é importante coordenador de frota, porque é o cara que cuida do carro que vai para a oficina, é o cara que cuida da vida daquele carro, está na hora de trocar óleo, está na hora de trocar filtro, está na hora de fazer rodízio de pneu, e nós não temos. Daí o secretário que está fazendo isso. Às vezes com a ajuda de algum auxiliar. Então, é uma função que demanda e que precisa. Então, mês de outubro ela vai sair do forno.

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