Tarifaço atinge Criciúma; Brasil não tem recessão; BR-101: Não queremos empurra-empurra. O que disse o presidente da Acic - Karina Manarin

Tarifaço atinge Criciúma; Brasil não tem recessão; BR-101: Não queremos empurra-empurra. O que disse o presidente da Acic

A Associação Empresarial de Criciúma também acompanha de perto as questões do Tarifaço de 50% dos Estados Unidos. O presidente da Acic, Franke Hobold, concedeu entrevista ao blog nesta quarta-feira (30), logo após a divulgação da lista de produtos isentos e  falou da possibilidade de prejuízos para empresas de Criciúma.

Questionado sobre a economia no Brasil em geral, o presidente avaliou que não há recessão no Brasil, expôs a situação da empregabilidade em Santa Catarina, falou  do Bolsa Família que avalia ser necessário desde que tenha uma “porta de saída”.

Outro ponto abordado foi a campanha lançada pela Acic há alguns dias, para que haja solução para o Morro dos Cavalos, um dos principais gargalos da BR-101 em Santa Catarina.

Ao avaliar as declarações do governador Jorginho Mello sobre o estado assumir a construção de um anel de contorno viário o presidente da Acic resumiu: Nós queremos a solução. Qualquer solução é bem-vinda. O que nós não queremos é um empurra-empurra.

Presidente da Acic, Franke Hobold

Veja a entrevista na íntegra:

Acabou de sair uma lista com os produtos que serão isentos da taxação de 50% dos Estados Unidos. Sua avaliação:

É uma coisa muito recente, a gente tem que esperar  agora a poeira baixar, para poder realmente entender quais são os setores da economia que vão ser beneficiados pela isenção e aqueles que não ficaram na isenção.

Porque essa lista acabou de sair, então não tem uma informação tão ampla assim?

Não tem uma informação ampla, logicamente  as empresas e certamente o governo federal estão agora digerindo isso para poder decidir o que vai fazer.

Mas como é que fica no meio empresarial essa tensão de ter uma tarifa, não ter, quem é isento, quem não é, como é que está isso no meio empresarial?

Isso é o pior dos mundos, porque você trabalha sem ter uma perspectiva. Logicamente que nós aqui na região temos empresas que exportam para os Estados Unidos e a gente acredita que eles devem estar numa preocupação muito grande.

Vocês já fizeram esse cálculo, já conversaram?

Sim, por exemplo: Criciúma, eu olhei Criciúma. Criciúma é superavitária, os Estados Unidos superavitários, nós importamos muito mais do que exportamos para os Estados Unidos. Eu olhei o primeiro semestre desse ano, nós importamos em torno de 11 milhões e alguma coisa, eu não lembro bem o número, 11 milhões e alguma coisa, e exportamos 9 milhões e 300 para lá. Então, também aqui, nós importamos mais do que exportamos. Basicamente, o volume de exportação de Criciúma são produtos cerâmicos e produtos de madeira. E a gente sabe que isso, são algumas empresas aqui que estão nessa linha de fogo agora, nesse momento. Então tem que aguardar um pouco, pelo que a gente viu aí, liberou alguns… materiais de construção não consegui ver todos. E também liberou, produtos de madeira.

Que seria o que tem mais problema aqui na região, que atingiria mais?

Isso, que tem mais problema, mais atingiria Criciúma. Então, assim, como eu disse, tem que baixar um pouco a poeira para a gente poder ver essa situação e entender como é que vai acontecer. Como também outras liberações vão acontecer na frente. É uma instabilidade muito grande.

O senhor acredita que vai ter um diálogo, que se chega a um denominador que tão prejudicial?

Eu acho que dos dois lados foi falado demais. Porque, assim, sempre quando você vai negociar, principalmente quando você faz negócios, se senta ao redor de uma mesa, se discute e tal. E houve muita troca de farpa de um lado e de outro. Aí vem o componente político ainda no meio que, nunca é saudável botar o componente político em uma negociação. Então, nós tivemos pelo lado de lá, os Estados Unidos puxando essa questão, presidente dos Estados Unidos puxando essa questão política e o nosso presidente aqui falando coisas que não tem necessidade nenhuma de falar, inclusive afrontando. Ninguém gosta de negociar com quem te afronta.

Mas a questão é que se procura um culpado, talvez não seja esse o caminho nesse momento…

Agora nesse momento tem que sentar. Eu acredito muito na capacidade de negociação do vice-presidente, que é o nosso ministro da Indústria e Comércio e Exportação.

A Fiesc teve uma reunião com ele, né?

Sim, teve com ele. E ele está envolvido nessa negociação, só que tem que abrir as portas para isso. E também lá nos Estados Unidos tem gente sendo prejudicada com o o tarifaço. Tem gente lá e eles também fazem pressão, sem dúvida nenhuma, que vai ter pressão. Então, assim, agora tem que esperar um pouco para as coisas se encaixarem. Logicamente que já está causando prejuízo para muitos, mas tem que dar um pouco de tempo ao tempo para as coisas se encaixarem.

Independente do tarifaço, que é um capítulo à parte, como é que o senhor vê a economia em geral no Brasil hoje?

O Brasil, assim, se a gente comparar com todos os países do mundo, nós temos algum crescimento. A expectativa desse ano é crescer em torno de 2,5%, 2,8%. É muito? É pouco? Claro que a gente gostaria de crescer mais. Mas a questão da taxa de juros, ela te impede de fazer investimento. Quem é maluco hoje de fazer investimento numa questão que o Selic a 15%?, quer dizer, vai buscar dinheiro para fazer investimentos e isso fica inviável. Então, assim, dentro de todas as condições econômicas que nós temos, nós ainda estamos buscando algum tipo de crescimento, mesmo que seja tímido.

Estamos respirando?

Estamos respirando, mas perto de outros países nós até estamos crescendo mais que muitos países, por exemplo, da Europa e outros. Logicamente que tem países que crescem muito mais que a gente. Mas não há uma recessão. Nós não estamos em recessão. Nós temos um crescimento. E outra coisa, a gente olha aqui ao redor, por exemplo, a questão toda de mão de obra. Há um crescimento de empregabilidade em toda a vida na nossa região. Isso decorre que as empresas estão, de alguma forma, buscando crescimento. E a gente conversa com os empresários.

Mas tem emprego e não tem mão de obra? Ou o senhor acha que está equilibrado isso na nossa região?

Não, hoje não está equilibrado. Hoje as empresas estão buscando mais gente para trabalhar. Agora, esses últimos dois meses diminuiu um pouco, mas estava muito latente isso no começo do ano. E tem vagas em aberto. O problema todo é que muitas vezes as pessoas que estão procurando emprego não estão preparadas para aquele emprego que as empresas estão oferecendo. Não há essa ligação. As pessoas também têm que se conscientizar que têm que se preparar para isso.

Nós tivemos a declaração de um criciumense que é um dos homens mais ricos do Brasil, que atrapalha, que o Bolsa Família atrapalha essa questão de emprego, que as pessoas vivem do Bolsa Família. O senhor concorda com isso?

É uma realidade não tanto aqui na nossa região, mas é uma realidade em grande parte do Brasil. E ele é meu cliente e meu amigo. Então, nós conversamos muito sobre isso. Essa semana ainda conversamos. E ele tem granjas em todo o Brasil, tem empresas em todo o Brasil. Então, ele sente isso. Isso é muito, é uma questão muito, existe muito mais em outras regiões do que aqui, mas aqui também tem, nós também pagamos aqui na nossa região Bolsa Família, não tem grande, um grande volume, mas tem, mas tem outras regiões do Brasil que tem um volume muito grande de Bolsa Família e que as pessoas se contentam com aquele valor e acham uma forma de viver com aquele valor, quando pode buscar um emprego e buscar outras alternativas. E a gente vê, por exemplo, ontem eu olhei uma pesquisa da Fiesc, o salário médio da indústria de Santa Catarina está R$ 3.600, então nós não estamos falando de salário mínimo, nós estamos falando de R$3.600, se olhar pouco tempo atrás, era R$2.600, R$2.700, então assim, também cresceu o salário médio, que é uma das reclamações. Eu vejo a nossa empresa, não tem ninguém ganhando o salário mínimo, entendeu? Os salários estão num patamar… Ah, mas não é o patamar que todo mundo deseja. Não, isso é difícil chegar naquilo que todo mundo deseja. Mas não é, não são valores que se comparam ao Bolsa Família. Eu penso que o Bolsa Família é uma coisa necessária para várias situações. Agora, houve um exagero no país. No governo passado, subiu muito o valor do Bolsa Família. Esse agora, se incrementou ainda mais e não se criou porta de saída. Se criou todas as portas de entrada e não se criou porta de saída nenhuma. E aí fica muito cômodo, né? Fica muito cômodo.

Presidente, A Acic lançou uma campanha em prol de uma solução para o Morro dos Cavalos. Como é que está essa campanha? Vocês já ampliaram?

Nós estamos trabalhando com as associações. Dia 9 de agosto, agora, nós vamos fazer o primeiro adesivaço na Praça  Nereu Ramos, em Criciúma, distribuindo, conscientizando cada vez mais a população. Como é uma campanha de longo prazo, a gente vai fazendo eventos aos poucos. Pretendemos nos próximos meses fazer aqui uma reunião com todos os nossos, representantes políticos para cobrar deles. O lançamento da campanha foi com o objetivo de deixar a chama acesa. Essa é a nossa preocupação. Nós precisamos deixar a chama acesa e ficar batendo nessa tecla. Junto ao governo do Estado, junto ao governo federal, junto aos nossos representantes políticos, junto à sociedade e que as pessoas lembrem que nós temos aquele aquele gargalo, que precisa ser resolvido. Eu não tenho esperança nenhuma que o negócio vai ser resolvido da noite para o dia. Mas se a gente ficar esperando acontecer um sinistro novamente para poder brigar, aí nós vamos ficar sempre nessa. Então, o nosso objetivo é deixar a chama acesa. Nós tivemos uma resposta muito positiva e a gente precisa agradecer isso. A gente teve uma resposta muito positiva dos meios de comunicações, das redes sociais. Então, assim, isso foi bastante importante para nós, para manter essa chama acesa.

Na semana passada, o governador Jorginho Melo esteve aqui na região sul e falou que vai apresentar ao ministro aquele projeto do contorno que é a proposta do governo do Estado e que ele vai, se o governo não quiser fazer, o Estado pode fazer. O senhor vê com bons olhos essa iniciativa do próprio governo talvez fazer um contorno ali no Morro dos Cavalos?

Eu estive com o governador também no final de semana. Ele salientou isso, disse isso. Nós queremos a solução. Qualquer solução é bem-vinda. O que nós não queremos é um empurra-empurra. Ah, eu faço se fizer isso. Eu faço se fizer aquilo. Vai ser dois túneis e não sei o que. Não, nós precisamos de uma solução. E quem deve definir qual é essa solução são eles. Eles têm o dinheiro na mão para fazer isso. É um dinheiro nosso, mas é administrado por eles. Quem administra o dinheiro é quem deve dizer. E os técnicos, os técnicos que devem dizer qual é a melhor, alternativa. Mas o que nós queremos é que se tome a decisão logo, que não fique esse tempo protelando, protelando e não tendo a solução.

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