A sessão de hoje da Assembleia Legislativa de Santa Catarina teve tom de desabafo e desaprovação na Tribuna. O caso da postagem do deputado Jessé Lopes que fez foto ao lado do ex-marido da Maria da Penha repercutiu com discurso de um deputado homem e duas deputadas da bancada feminina. As deputadas Luciane Carminatti (PT) e Paulinha (Sem Partido) abordaram temas como a força da mulher, os exemplos positivos como a história de Anita Garibaldi e sintonizaram seus discursos em combate a qualquer tipo de violência contra a mulher.
Dos homens, número que integra a grande maioria do parlamento catarinense, apenas o deputado Padre Pedro Baldissera (PT) se manifestou. Sem citar o autor, eles criticaram a postagem. “É a naturalização da violência, de que existiriam razões que justificassem a violência extrema contra a mulher”, avaliou Paulinha, que reconheceu a existência de preconceito e do machismo no Legislativo. “É o processo histórico, endêmico e social que não foi superado, mas esta Casa é a casa dos catarinenses. Importante que os 40 não olvidem suas responsabilidades”.
A deputada petista Luciane Carminatti disse que quando se imagina que chegamos ao fundo do poço, ainda não se chegou. “Imagine que estamos comemorando 15 anos da lei Maria da Penha, que está em uma cadeira de rodas porque levou um tiro nas costas. Indignação total com a referida postagem”, disse ela.
Carminatti seguiu falando que se anda pra frente e falou do lançamento do site do Observatório da Violência Contra a Mulher. “Enquanto uns divulgam a Alesc do ponto negativo, nós divulgamos do ponto positivo”, disse ela.
O deputado Padre Pedro classificou de covardia o ato do colega de parlamento, afirmando que isso inclui em “não só bater, mas defender os agressores”. “Alguns não somente lavam as mãos, mas sujam suas mãos fazendo gestos, simulando armas. “Não lutam para alimentar o povo de uma cultura de paz, mas pela cultura da guerra e do ódio; defendem agressores de mulheres e zombam de iniciativas para minimizar o quadro”, deplorou Padre Pedro.


