O sul do estado tem o primeiro paciente de Santa Catarina a receber tratamento com polilaminina, a substância pesquisada por uma brasileira e que apresenta esperança de novas possibilidades para pacientes com lesões graves.
A aplicação será realizada neste dia 5 de março no Hospital Dom Joaquim, em Sombrio.
A instituição é administrada pelo Instituto Maria Schmitt-IMAS, que viabilizou a primeira aplicação de polilaminina em um paciente em Santa Catarina, um procedimento que pode abrir novos caminhos no tratamento de lesões raquimedulares.

Alison Carvalho receberá tratamento com polilamina. FOTO: Divulgação assessoria Instituto Maria Schmitt IMAS
O jovem Alison Carvalho Saldívia, de 19 anos, morador de Balneário Gaivota, será o primeiro paciente do Estado a receber a medicação. Ele sofreu um trauma raquimedular no dia 11 de janeiro, após um mergulho em águas rasas na praia, que resultou em uma lesão na região cervical da coluna (C5). Desde então, vem passando por um processo intenso de tratamento e reabilitação domiciliar.
A possibilidade de receber a polilaminina surgiu como uma nova esperança para Alison. Por isso, a equipe médica do IMAS não mediu esforços para incluir o paciente nesta terapia, que embora ainda esteja em fase experimental, já apresentou resultados positivos em alguns casos de lesões medulares.
Segundo Dr. Ângelo Formentin Neto, Médico Residente de Anestesiologia do Hospital Dom Joaquim, que acompanhou o paciente durante a internação, própria equipe médica do hospital tomou a iniciativa de fazer o contato direto com os profissionais responsáveis pelo estudo clínico da medicação.
“Nós entramos em contato com a doutora Tatiana Sampaio, que lidera a pesquisa juntamente com o neurocirurgião dr. Olavo Franco, que integra o grupo de apoio científico do projeto, que nos o orientaram sobre os critérios e os caminhos necessários para que o paciente pudesse receber o tratamento”, explicou Dr. Angelo.
De acordo com o médico, Alison foi enquadrado no chamado uso compassivo da polilaminina, modalidade que permite o acesso a terapias experimentais em situações específicas, quando há possibilidade de benefício ao paciente.
Para tornar o procedimento possível, o IMAS (Instituto Maria Schmitt) ofereceu suporte jurídico durante todo o processo, por meio do escritório Olimpierri Mallmann Advogados, que atuou na condução dos trâmites judiciais e na interlocução com os órgãos reguladores. Após o cumprimento das etapas necessárias e a apresentação das justificativas médicas, a autorização para a aplicação foi concedida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Procedimento será realizado no hospital
A aplicação da polilaminina está prevista para ocorrer no dia 5 de março, no bloco cirúrgico do Hospital Dom Joaquim. O procedimento deve durar cerca de 30 minutos e consiste na aplicação da proteína diretamente na medula, com apoio da estrutura hospitalar e acompanhamento da equipe médica, liderada pelo Dr. Luiz Felipe Lobo, neurocirgião que irá fazer a aplicação.
Apesar de ainda ser uma terapia em estudo, as expectativas são positivas. Como o risco é considerado baixo, o tratamento pode representar uma oportunidade importante de recuperação.
“Hoje o Alison não apresenta movimentos nos membros superiores e inferiores. Se ele conseguir recuperar algum movimento, já será um ganho muito significativo. Existe uma expectativa grande em torno dessa terapia”, reforça Dr. Ângelo.
Segundo ele, estudos como esse podem representar um avanço importante na medicina nos próximos anos, especialmente no tratamento de pacientes com tetraplegia e outras lesões medulares, que historicamente apresentam prognósticos difíceis.

