A julgar pela entrevista eu concedeu ao site, o prefeito de Tubarão, Joares Ponticelli está preparado para renunciar ao cargo e entrar na disputa eleitoral do próximo ano. Falta apenas a decisão dentro do PP, que ainda não demonstrou firmeza no propósito. Ponticelli reclama de convites feitos a lideranças de outros partidos para filiação ao PP visando a possibilidade de candidatura ao Governo do Estado quando ele colocou o nome à disposição e alega que fez o “dever de casa” solicitado pelo partido, estando preparado para a missão.
O sr acabou de me apresentar alguns programas que o sr tem na prefeitura, como o Facilita e nota-se certa empolgação sua com esse segundo mandato. O sr renunciaria para participar da eleição de 2022?
Já foi maior
Por que?
Eu estou muito realizado em ser prefeito. Eu achei que tivesse queimado essa etapa porque eu fui vereador por dois anos e minha carreira política aconteceu de forma muito meteórica, rápida. Na metade do primeiro mandato de vereador eu fui eleito deputado. Então digamos que eu tenha queimado essa etapa da prefeitura. Porque fui eleito deputado, fui presidente da Assembleia e cheguei a disputar a vice-governança do estado. Então eu imaginei que a prefeitura seria para eu encerrar minha carreira política. Acabou acontecendo em 2016. Vim numa eleição difícil e acabei vencendo com uma boa diferença. Mas eu próprio tinha muita insegurança se eu iria me adaptar na função do executivo. Porque eu tinha 18 anos de vida no parlamento, no Legislativo, embora aqueles dois anos de presidência da Assembleia me deram a oportunidade do executivo da Assembleia mas não era como enfrentar o dia a dia de uma prefeitura. Cheguei aqui com essa preocupação, com o município em situação financeira muito complicada, devendo dois orçamentos anuais a maior dívida disso de precatórios, pagamos R$ 100 milhões em precatórios.
O sr resolveu isso no primeiro mandato?
No primeiro mandato, Decidimos organizar e nos primeiros seis meses organizamos as finanças da casa.
Mas com isso tudo resolvido, qual o motivo de estar longe a possibilidade de o sr participar da eleição de 2022?
Porque eu estou vivendo o melhor momento da minha vida pública. Terminei o mandato com mais de 80% de aprovação, as urnas também mostraram isso e iniciamos um novo mandato com a mesma empolgação. Geralmente num segundo mandato vem uma acomodação. Aqui não. Aqui a gente entrou com mais vigor ainda. Vou anunciar nos próximos dias um pacote de investimentos na ordem de R$ 100 milhões, o maior da história da cidade. Então estou muito feliz em poder resolver demandas antigas.Vamos inaugurar uma ponte de quatro pistas sobre o Rio Tubarão, depois de quarenta anos da inauguração da última.
Mas o sr chegou a colocar seu nome para composição em majoritária então agora o sr descarta isso?
Não, eu estou falando da felicidade que estou de ser prefeito e de poder resolver essas coisas e acho que isso serve de experiências para eventual participação minha numa campanha majoritária. Uma cidade do porte da nossa ter a fila de creche zerada há mais de ano e continuar zerada não é missão fácil..
O sr está desde o início da entrevista citando obras e realizações. Isso já é uma pré-campanha para o governo?
Eu diria que eu tenho o que apresentar. Agora ao mesmo se eu tiver que concluir o mandato não será nenhum demérito, nem dificuldade para mim Porque eu posso e vou fazer muito se eu ficar até o final desse mandato. Eu coloquei meu nome à disposição sim e o partido sabe disso. Até porque antes alguns do partido diziam que eu não tinha experiência no executivo que eu tinha que fazer o dever de casa. Ser prefeito, ser um bom prefeito. Fui prefeito primeiro mandato, e modéstia a parte um bom prefeito, as urnas disseram isso. Fiz a maior votação da história de Tubarão na reeleição e era a aprovação nas pesquisas também. E aí eu disse olha fiz o dever de casa agora estou pronto para rodar o estado se for esse o entendimento do partido. E continuo com o nome à disposição. Te confesso que não ando muito satisfeito com esses constantes recados que recebo de alguns do partido.
Quais?
De convite a outras lideranças. Convidaram dois ou três nomes como se o meu nome não fosse considerado. Se eu disser que isso não me chateia estaria faltando com a verdade. E eu expressei isso à executiva em reunião. Disse olha eu não estou me sentido bem com isso. Porque para cada convite tem uma desculpa: ah não foi bem assim… sim, uma versão dada para a imprensa que ninguém contestou. Convite para A, B e C. Se o partido casa que não estou pronto me diga. Não é nenhuma dificuldade. Não é uma sangria desatada. Agora, eu tenho história no partido, tenho mais de duas décadas de mandato. Fui presidente estadual, conheço o estado inteiro me preparei para isso e espero que o partido me dê essa oportunidade.
Então a sua afirmação sobre estar mais longe de ser candidato seria em razão dessa questão ao partido?
É, essas coisas acabam gerando um processo de desconfiança.
Diante de todo esse cenário o sr renunciaria para disputar algum cargo que não fosse para majoritária?
Olha naturalmente que renunciar para outro cargo carece de uma combinação melhor com a população. Sempre tratei a questão de uma eventual renúncia de forma muito transparente na eleição. Quando começaram essas especulações, os opositores, no papel deles diziam: Joares eleito cai o prefeito. Falando da minha eventual renúncia. E começamos a discutir isso no marketing da minha campanha. Alguns disseram: vamos negar. E eu falei: se é para negar é para negar e pra cumprir. Vamos tratar desse assunto com transparência. E passei a campanha dizendo olha eu sonho em ser candidato a governador. Nunca escondi isso e não é pecado sonhar. Até porque sonhar pequeno e sonhar grande dá o mesmo trabalho então prefiro sonhar grande. Sonho em ser candidato a governador e modéstia a parte acho que estou preparado para isso. Mas isso só não basta. O partido tem que querer e precisa ter uma composição para viabilizar isso. Como eu tratei isso com muita transparência com o eleitor tubaronense, sinto que vou receber respaldo pleno para um projeto majoritário. Para um projeto proporcional vou ter que dialogar um pouco mais porque você abre mão em tese de 33 meses de uma função no Executivo, onde o prefeito decide, tem caneta, para uma posição de eleição proporcional. De deputado, onde você não decide, você pede, você representa. Segundo, eu já comecei a sentir com essas repercussões de algumas lideranças do partido fazendo gracinha estado afora, começo a ouvir olha, se é para o partido te colocar numa fria não vamos deixar tu sair não. Então, a população não pode ser subestimada.
Com quais partidos o sr vê o PP para a disputa no próximo ano?
Várias alternativas. O PSD é um aliado histórico. O PSDB já foi nosso aliado em algumas eleições. Não teria nenhuma dificuldade em ser novamente. O PL pode ser uma alternativa. Não há nada que possa rejeitar. E aí o leque de novos partidos que tem aí.
E o DEM?
O DEM também pode ser. Aliás, temos parceria histórica com o DEM.
O sr conversa muito com o Gean Loureiro?
Converso com ele, com Raimundo, com napoleão, com Gelson Merísio, com Jorginho Mello. Agora eu particularmente não tenho nenhuma dificuldade com o MDB. Tenho uma excelente relacionamento com lideranças do MDB. Mas pela questão histórica acho que é muito difícil justificar isso. Ja tentamos uma experiência em Tubarão e não deu certo. Agora o Esperidião e o Dário também tentaram em Florianópolis e não deu certo então… Ainda tem essa coisa de PP e MDB muito enraivada no interior então mais por uma questão histórica muito mais de passado que de futuro. E com partidos de esquerda também acho difícil uma eventual composição.

