"Capitão do mato": Vereadora do PCdoB de Criciúma é ré em processo por injúria racial - Karina Manarin

“Capitão do mato”: Vereadora do PCdoB de Criciúma é ré em processo por injúria racial

A justiça de Criciúma acolheu denúncia do Ministério Público contra a vereadora Giovana Vito Mondardo (PCdoB) em razão de suposto crime contra o ex-secretário de Assistência Social de Criciúma, Bruno Ferreira.

Com isso, ela virou ré em processo por injúria racial, o que configura preconceito. A questão em pauta foi uma declaração da vereadora em entrevista à imprensa, a época de vídeo em que o ex-prefeito Clésio Salvaro e o então secretário abordaram uma pessoa em situação de rua.

Na ocasião o prefeito informou que o homem na rua era um “velho conhecido” , que havia “tomado um porre” e solicitou ao secretário que “desse um banho e colocasse para capinar” .

Ao abordar o assunto, a vereadora informou que havia denunciado o prefeito e o secretário e referiu-se a Bruno Ferreira, que é negro, como “capitão do mato” .

O secretário registrou boletim de ocorrência, a Polícia instaurou inquérito , houve indiciamento  e o Ministério Público ofereceu a denúncia, que foi aceita pelo juiz Emerson Carlos dos Santos da Primeira Vara Criminal da Comarca de Criciúma.

O crime de injúria racial, se comprovado, pode ocasionar entre dois e cinco anos de prisão e pagamento de multa.

O ex-secretário emitiu nota acerca do assunto:

O recebimento da denúncia marca um passo importante, ainda que inicial na busca por justiça. A dor causada por essas palavras é profunda. Mais do que uma ofensa pessoal, trata-se de uma agressão a toda a população negra que, como eu, luta diariamente por respeito, dignidade e equidade.

É especialmente estarrecedor que tal ofensa tenha partido de uma representante eleita, com formação superior e pleno conhecimento do peso histórico da expressão utilizada. A fala racista não foi um descuido: foi uma escolha, consciente e cruel, de tentar me rebaixar por meio de uma imagem de submissão e traição imposta aos negros durante a escravidão.

Como homem negro, advogado, e cidadão de Criciúma, não posso me calar. Não busco vingança, mas justiça. E essa justiça começa com o reconhecimento de que a injúria racial não pode ser naturalizada, relativizada ou silenciada, principalmente quando parte de quem deveria zelar pelo bem comum.

A transformação da sociedade começa pela coragem de não aceitar o inaceitável. Que este caso sirva de reflexão e de alerta: racismo é crime. E cada palavra racista tem consequência.

Bruno Ferreira

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