O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), após reunião da mesa diretora da Casa na última sexta-feira (8), encaminhou representações disciplinares contra deputados à Corregedoria da Casa.
A questão em pauta é a obstrução dos trabalhos na Câmara por 30 horas, ocorrida na última semana. Entre os deputados que poderão ter os mandatos suspensos, estão três catarinenses: Júlia Zanatta, Caroline de Toni e Zé Trovão, todos do PL.
O líder do PT na Casa, deputado Lidbergh Farias, havia pedido já na manhã de sexta-feira a suspensão cautelar de cinco parlamentares do PL mas chama atenção a acusação especificamente quanto ao caso da deputada Júlia Zanatta.
No documento, ele a acusa de “participação na ocupação da Mesa Diretora com bebê no colo”.
A deputada esteve no plenário da Câmara na noite de quarta-feira (6), com sua filha de quatro meses a quem amamenta. O deputado a acusa de utilizar a filha como “escudo”.
Entre as reivindicações dos deputados que participaram da mobilização estava a colocação do projeto que concede anistia aos condenados pelo 8 de janeiro em pauta.
A presidência da Câmara resiste à votação, assim como a do senado não quer que possível pedido de cassação do Ministro Alexandre de Moraes seja apreciada.
Em uma Casa democrática, há de se respeitar as regras estabelecidas e a vontade da maioria.
Não é o que acontece nos dois casos.
O presidente do senado, Davi Alcolumbre chegou a afirmar que nem com 81 assinaturas solicitando a instauração do pedido de impeachment ele o colocaria na pauta, ou seja, não vai respeitar a vontade da maioria.
Voltando à questão da deputada Júlia Zanatta, chama atenção o fato de o deputado que pede a suspensão de seu mandato sublinhar a presença da filha em plenário. Repentinamente, surgem preocupações com a criança que está com a mãe sendo amamentada.
Essa criança aliás, pode ter evitado mais uma cena lamentável de retirada a força ou quebradeira que tantas vezes assistimos por parte de movimentos que o deputado apóia e aplaude.
Mais que isso, em 2018 os aliados de Lula utilizaram a mesma tática de obstrução para protestar contra a prisão dele.
O ex-presidente Jair Bolsonaro pode ser a figura central nessa questão mas há de se levar em consideração condenações a 14 anos de prisão por pichação de estátua com um batom.
A época da obstrução da mesa da Câmara por aliados de Lula, tratava-se única e exclusivamente da prisão dele, condenado em três instâncias por corrupção.
Ao final, a acusação e o pedido de suspensão dos deputados soam como estratégia política em um discurso flutuante, que se molda não conforme a regra, mas conforme quem possa tê-la infringido.


