O que mais chamou atenção na Operação do Gaeco deflagrada nesta terça-feira (5) em Santa Catarina foi a informação apurada pelo jornalista Raphael Faraco, na NSC.
Fazendo jus ao nome da Operação, “Vias Clandestinas”, a ex-prefeita de Vargem, Milena Andersen teria recebido propina no meio da rua.
A prefeita foi um dos alvos de busca e apreensão e é acusada de favorecimento a uma construtora em contratos para obras de asfaltamento na cidade. A Operação deflagrada hoje é o início das investigações. Os fatos precisam ser melhor apurados e a partir da documentação recolhida certamente o serão.
Vargem é uma pequena cidade do Meio-Oeste de Santa Catarina com pouco mais de três mil habitantes.
Pelo tamanho da cidade talvez a repercussão política passasse despercebida não fosse um pequeno detalhe: a proximidade e ligação antiga da ex-prefeita com o governador Jorginho Mello, tendo sido eleita para o primeiro mandato em 2016, inclusive pelo PR, antigo partido do governador.
Milena foi nomeada secretária-adjunta de Assistência Social em fevereiro deste ano e também presidiu a Federação dos Municípios de Santa Catarina.
Embora a investigação deflagrada hoje não tenha nada a ver com o Governo do Estado ou com a Fecam, há dois pontos a serem considerados.
O primeiro, o reflexo que isso traz para o próprio governo e para Jorginho, pré-candidato à reeleição em 2026.
O segundo seria a extensão dessa investigação. A conferir se será um caso isolado ou se poderá se estender para outros municípios, como foi o caso da coleta de lixo que ocasionou a Operação Mensageiro, resultando na prisão de 17 prefeitos.
Na manhã desta terça-feira (5/8), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) e o Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), em apoio à investigação conduzida pela Subprocuradoria-Geral para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) deflagram a Operação “Via Clandestina” em combate a crimes contra a administração pública.
A Operação:
A Operação “ Via Clandestina”, deflagrada na manhã desta terça-feira (5), investiga a prática de corrupção ativa e passiva em contratos de pavimentação asfáltica firmados pelo Município de Vargem, no Meio-Oeste catarinense, durante a gestão 2021/2024.
A operação foi deflagrada pelo Gaeco, Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas e o Grupo Especial Anticorrupção (GEAC), em apoio à investigação conduzida pela Subprocuradoria-Geral para Assuntos Jurídicos do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC).
As apurações, de acordo com. Ministério Público, apontam indícios de vantagens indevidas pactuadas por meio de favorecimentos recíprocos entre um agente político e um empresário do setor. Durante o cumprimento dos oito mandados de busca e apreensão, foram apreendidos documentos e mídias relevantes para a investigação.
O cumprimento dos mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), concentra-se nos municípios de Vargem, Campos Novos, Lages e São José e tem por objetivo a apuração dos crimes de corrupção ativa e passiva, com pactuação de vantagens indevidas, mediante favorecimentos recíprocos entre agente político e empresário do ramo de pavimentação asfáltica.
A operação conta com o apoio técnico da Polícia Científica de Santa Catarina, com vistas a preservação da cadeia de custódia no tocante as evidências arrecadadas de interesse investigativo.
A operação intitulada “Via Clandestina” faz referência à suspeita de encontros clandestinos e previamente agendados entre os investigados, em vias públicas, para repasse de valores espúrios decorrentes da execução de contratos de pavimentação asfáltica de vias públicas municipais.

