Salve-se quem puder
O primeiro dia da semana decisiva para as eleições de 2026 foi tomado por gravações de vídeo e troca de acusações na região Sul. O estopim foi aceso pela deputada federal Júlia Zanatta e por seu marido, o advogado Guilherme Colombo, candidato a deputado estadual. Júlia criticou um áudio do prefeito de Forquilhinha, Neguinho, por ele afirmar que ela não havia “ajudado muito”o município e Guilherme usou um trecho de um vídeo do prefeito de Criciúma, Vaguinho, para cobrar posicionamento sobre o candidato à presidência. Os vídeos publicados por ambos ainda no domingo, foram respondidos pelos dois prefeitos. Vaguinho abriu voto para Flávio Bolsonaro e Neguinho em uma longa gravação repetiu críticas à deputada. A resposta então veio do vereador Anderson Coral, que carregou na dose citando inclusive questões pessoais recentes do prefeito. A troca de acusações demonstra que diante de um cenário praticamente definido quando o assunto é a candidatura ao governo, os proporcionais intensificam a disputa em um ambiente onde dez votos podem fazer a diferença na eleição de deputado estadual e federal. O vale tudo eleitoral está no ar com o antigo slogan: “Salve-se quem puder”.
Jorginho em Criciúma
O evento do governador Jorginho Mello nesta segunda-feira (28), em Criciúma, reuniu lideranças do PP e do MDB, partidos que não fazem parte da coligação encabeçada por ele. Entre os presentes ao palco, a prefeita de Urussanga, Stella Talamini (MDB) e o deputado estadual José Milton Scheffer (PP). O evento reuniu lideranças de toda a região no Am master Hall na reta final da campanha eleitoral deste ano.

Bastidores
A sessão na Câmara de Vereadores de Criciúma nesta segunda-feira (28), foi rápida e sem muitos discursos na tribuna mas a informação de bastidores é que a declaração do prefeito Vaguinho agitou o universo político no Legislativo. Teve quem aprovasse a declaração de voto em Flávio Bolsonaro e teve quem avaliou como uma atitude arriscada do ponto de vista partidário.
Cadeira vazia
O suplente de vereador Júlio Bittencourt, que havia assumido a cadeira na Câmara de Criciúma com a licença de Giovana Mondardo, teve revogada sua posse e não participou da sessão nesta segunda-feira (28). Júlio recorreu à justiça de decisão da direção da Câmara que havia seguido orientação do Tribunal de Contas de Santa Catarina e revogado a posse dele. Até então, ele continuava na Câmara por conta de uma liminar. A questão em pauta é o entendimento do TCE, sobre a licença para tratamento de saúde e de questões particulares, que teria que ser de mais de 120 dias para que o suplente fosse convocado. Como a licença de Júlio havia sido por tempo menor, um decreto Legislativo acabou anulando a posse. A justiça ao analisar o mérito da questão na última sexta-feira (25), determinou a anulação da posse e o suplente ficou sem a cadeira.
Polarização
O cenário político nacional passa a sensação de esvaziamento das candidaturas que correm por fora dos partidos polarizadores. Com a disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro, ambas as campanhas acirram a batalha voto a voto. Apoiadores de Flávio intensificam a mobilização nas ruas e redes, apostando no discurso de uma possível vitória ainda no primeiro turno. Foi nesse clima que dois prefeitos do PSD da região sul declararam voto para Flávio Bolsonaro nesta segunda-feira.
Voto aberto
O chefe do Executivo de Criciúma, Vaguinho, ao declarar voto e pedir apoio para Flávio Bolsonaro, lembrou que seu partido, o PSD, tem um candidato à presidência que sempre foi de direita, mas que o momento não é para projeto político mas de “salvar o Brasil”. Na mesma linha de Vaguinho, o prefeito de Forquilhinha, José Cláudio Gonçalves, o Neguinho, também declarou voto para Flávio Bolsonaro.
Chumbo cruzado
Na reta final de campanha, o governador Jorginho Mello, apesar de estar em uma situação confortável com previsão de eleição no primeiro turno, ressuscitou o episódio da prisão de João Rodrigues na última semana. Nos bastidores, a informação é que o fato teria ocorrido também em razão de matéria veiculada pela propaganda de João sobre patrimônio da família de Jorginho Mello. Mais ou menos “chumbo cruzado”.
Patrimônio
A propaganda que expõe o patrimônio da família de Jorginho havia sido suspensa por uma liminar que foi derrubada nesta segunda-feira (28). O comercial mostra patrimônio do filho mais novo do governador, Felipe Mello, chamado atenção para apartamento comprado por R$ 11,25 milhões à vista. O desembargador Jaime Machado Júnior, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SC), rejeitou o pedido da campanha de Jorginho para proibir a peça e afirmou que a mensagem central do comercial “é verdadeira e documentalmente comprovada”.
O que diz o TRE
Sobre o apartamento na Capital, o relator diz que a escritura pública e as certidões de matrícula “comprovam a veracidade da informação veiculada, inclusive quanto ao valor global da operação”. O imóvel foi comprado em abril de 2026 pela FFM Participações, empresa de Filipe e da esposa. A decisão destaca ainda que a própria campanha de Jorginho não contestou a compra. A campanha de Jorginho alegou que o governador só participa de uma empresa. O desembargador rejeitou o argumento e apontou que as duas empresas, a JSM Participações (de Jorginho e dos filhos Filipe e Bruno) e a FFM, “estão efetivamente ligadas ao núcleo familiar do candidato”.
PP faz apelo
O secretário estadual do PP, Aldo Rosa, enviou ofício aos integrantes do partido convocando-os a se esforçarem na reta final de campanha em busca de votos para c candidatos proporcionais da sigla. No comunicado, Aldo fica como exemplo o município de Itapiranga, que em 2020 fez 5749 votos mas em 2022 os candidatos a deputado fizeram somente 91 votos. O apelo mostra que a onda que se forma novamente no estado de Santa Catarina, pode levar também os votos do PP, partido que oficialmente está na coligação encabeçada por João Rodrigues mas se dividiu com apoio também para Jorginho Mello.
O cenário
O governador de Santa Catarina além de ter previsão de reeleição no primeiro turno, deve ter na Alesc entre 10 e 15 deputados somente do PL. No cenário, também a disputa acirrada pelo senado com os dois candidatos do PL disputando palmo a palmo com Esperidião Amin, candidato ao senado pelo PP. Nos últimos dias, Amin tem sofrido ataques diretos de Carlos Bolsonaro.



