Igreja católica contesta possibilidade de fim do feriado de Santa Bárbara - Karina Manarin

Igreja católica contesta possibilidade de fim do feriado de Santa Bárbara

A discussão levantada pela Comissão Especial Temporária de Revisão Legislativa da Câmara de Vereadores de Criciúma, sobre a possibilidade do fim do feriado de 4 de dezembro, dia de Santa Barbara, foi contestada e parece que pode ser longa em Criciúma.

Em uma reunião realizada com a participação de entidades, o padre Antônio Júnior, representante da igreja católica leu trechos das atas registradas no livro tombo da igreja. Segundo ele, em 1950, foi escrito que a classe operária tirou de seus escassos salários, os recursos necessários para a construção da capela de Santa Bárbara, como um monumento de fé. A primeira procissão de Santa Bárbara, teria ocorrido em 1937, no ano de 1949 já existia este feriado e em 1952 a capela teria sido inaugurada.

O padre afirmou ainda que os livros contam que a maioria dos bairros de Criciúma tem no carvão a base de sua história. Mesmo que não se fale na Santa, ela é a história dos mineiros e não podemos separar uma da outra. “Que responsabilidade a nossa tirar aquilo que é a história da cidade. Cuidado para não ferirmos o nosso povo, somente em função de uma cifra. O ser humano tem que ser visto como um todo, não pode ser visto só pelo viés do cifrão. Não temos o direito de decidir sobre uma história”, resumiu.

Ele disse ainda que se for para acabar com um feriado como o 4 de dezembro por não ter mais significado, como anunciaram algumas lideranças na cidade, é aconselhável procurar o presidente da República para que sejam extintos os de Sete de Setembro e o de 21 de abril, já que não se tem muita ligação com a cidade de Minas Gerais.   

A reunião contou com a participação de representantes da ACIC, CDL, Igreja Católica, Sindilojas, Sindicato dos Mineiros e Forcri.

Durante a discussão, o presidente da CDL, presidente da CDL, Tiago Colonetti Marangoni, defendeu a mudança no feriado. Marangoni se apresentou como devoto da Santa, mas pensa diferente do que a igreja católica defende. “Sou devoto da Santa, minha empresa é no bairro, mas é um assunto muito importante, temos mil associados que levantam essa bandeira. É um feriado no final do ano, que trava o sistema, há uma ruptura na cadeia de produção e essa demanda vem dos nossos associados, é bom estar aqui e falar sobre isso, para amadurecer essa questão”.

O presidente do Sindicato dos Mineiros, Djonatan Matei Elias, o “Piriguete” resgatou a história da Santa e da devoção dos mineiros à ela. “Em nome da economia, nós não tivemos nem isolamento decente durante a pandemia. A cidade deve seu início com o carvão, a história da Santa com a fé dos trabalhadores, e não podemos esquecer dos trabalhadores que deram a vida pela cidade. Não podemos deixar isso passar em branco, a cidade foi fundada no carvão”, declarou.

Para o vereador relator da Comissão, Júlio Kaminski (PSL), esse debate surgiu para levantar algumas ideias importantes, como ideias de turismo, turismo religioso, oportunidades de geração de negócios, comercialmente falando, dentro do próprio feriado da padroeira dos mineiros, um trabalho de resgate da história para a cidade. “Temos que organizar as ideias para fazer os encaminhamentos com aquilo que a gente pode levar adiante para tornar eficaz o que viemos discutindo. Há necessidade de todos os lados terem que buscar iniciativas”, explicou o vereador.

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