Pela primeira vez na história do município de Urussanga, um terceira via está no poder. A disputa acirrada entre partidos tradicionais na cidade deu lugar a fato inusitado, com o afastamento do prefeito eleito, Luis Gustavo Cancelier, que é do PP. Com isso, assumiu o comando do Executivo o vice, Jair Nandi, do PSD, que está desde maio a frente da administração municipal. Na entrevista que concedeu ao blog, o prefeito em exercício avaliou o cenário e antecipou que concorrer a prefeitura nas eleições de 2024 está nos planos
O cenário político em Urussanga sofreu uma reviravolta com o afastamento do prefeito Luis Gustavo Cencelier. Sua avaliação sobre o atual cenário:
É uma situação bastante singular, eu não tenho dúvida, mas nós desde que assumimos no dia 20 de maio desse ano, procuramos dar continuidade a todos os serviços e obras que são importantes para a cidade.Evidente que estamos inseridos nesse contexto político mas não podemos deixar que o fato político afete o serviço na ponta . Então continuamos priorizando educação, saúde, agricultura, obras que são importantes que melhora a vida das pessoas.Por exemplo, saúde, autorizamos há 30 dias contratar mais dois médicos porque precisava exatamente para melhor atender, nós identificamos alguns gargalos. Mutirões da saúde… Então todos os serviços que são importantes, que são pilares da administração, nós não paramos. Demos continuidade e fortalecemos inclusive.
O sr conversa com o prefeito sobre as ações no Executivo?
Não. Desde o dia 20 de maio não tivemos qualquer conversa relacionada a gestão. Tivemos conversas eventuais agora, que antecedeu a votação na Câmara mas sobre gestão nunca conversamos.
Existe uma expectativa que o prefeito volte nos próximos dias. O sr acredita que volte?
Eu não tenho acesso ao processo nós também, nunca conversamos sobre isso. De uma lógica, até porque eu também sou da área do direito se nós olharmos, penso eu, e até pelas últimas informações, que em 60 dias ou antes, ele deve retornar. Enquanto isso, a gente segue trabalhando, tomando as decisões que precisam ser tomadas, sem medo, sem ressentimento, pensando no município.
Essa insegurança de certa forma não atrapalha decisões a longo prazo para a cidade?
Tudo o que estamos fazendo são ações de curto prazo. Por exemplo, pensando no desenvolvimento econômico do município, enviamos uma lei para a Câmara nesta semana, que reduz o Alvará das empresas, comércios e bares e restaurantes. Exatamente para facilitar e equilibrar essa questão voltada à pandemia. Também liberamos dois empreendimentos com investimento em torno de R$ 10 milhões, na área da construção civil, loteamentos importantes, que vão impactar, gerar renda, riqueza, moradora. Duas empresas novas vão se instalar na área industrial, gerando empregos diretos e mais indiretos. Então todas as ações de imediato estamos fazendo. Aquela a longo prazo evidente que estão no radar mas requerem um pouco de equilíbrio e ponderação para que essa situação se defina.
O sr esteve em Florianópolis e junto a lideranças estaduais conseguiu a garantia do governador Moisés, da pavimentação da Rodovia dos Mineiros, uma reivindicação antiga. Como será o andamento dessa obra? A curto prazo?
Sobre essa rodovia, é importante destacar que existem várias pessoas envolvidas, é uma luta de 50 anos das comunidades, dos vereadores, dos ex-prefeitos.Então acredito que no momento da assinatura essas pessoas serão todas citadas. Desde o dia 20 de maio em diante, tivemos uma sinalização bastante positiva e ficou de responsabilidade da prefeitura atualizar pela linha orçamentária para que a gente fosse até o estado. Lá fomos recebidos, o Governador sinalizou até Santana, seis quilômetros e meio orçamento de 16,9 milhões e agora esse projeto foi para a Secretaria de Infraestrutura, trinta dias para que faça análise e se estiver tudo certo o Estado vai licitar porque avaliou que é uma rodovia que tem caráter regional a nível de importância. Nós pensamos aí que em 60 dias deve ter encaminhamento bastante positivo dessa obra. Estamos fazendo nosso dever de gestor público de dar continuidade a esse processo.
Teve uma votação na Câmara, de uma Comissão Processante para avaliar a situação do prefeito afastado, Luis Gustavo Cancelier. O seu partido, o PSD recomendou ao vereador representante da sigla que votasse a favor. O sr concorda com esse posicionamento?
Eu passei na Câmara por quatro anos e nunca fugi do debate. Sempre debatemos e trabalhamos todos os assuntos que foram importantes. Esse assunto era um assunto que tinha relevância, foi levado à executiva e a executiva do partido como um todo opinou pela abertura. Muito embora o PSD sempre tenha deixado livre para que o vereador faça, pelo menos nos meus quatro anos e até agora, o vereador sempre teve liberdade nessa escolha. Apenas se sugere, mas a executiva entendeu que era a favor.
Se o sr fosse vereador então o sr votaria a favor da Comissão?
Se eu estivesse lá eu teria que avaliar como se eu estivesse lá. Mas agora estou no executivo e segui aquilo que a executiva opinou.
O sr considera que essa atitude do PSD possa prejudicar a relação prefeito e vice em um retorno do prefeito Luis Gustavo Cancelier?
Nós temos uma situação que é Câmara, um poder independente, embora harmônico, isso que reza a constituição, então temos que respeitar as decisões daquela casa, e é assim que deve ser, hoje embora o PSD tenha um vereador lá na Câmara e tem o vice-prefeito aqui no executivo. Entendemos que pelo nosso histórico, pelo que temos feito aqui de ter dado continuidade, de ter mantido quase toda a equipe, somente alterações pontuais e necessárias não haveria o porque. Mas isso é algo que precisa ser analisado e discutido com o retorno do prefeito.
Houve uma ocorrência com o presidente do Samae e o sr o exonerou. Já existe um substituto?
Nomeamos um servidor de carreira. Entendemos que em função do Samae também precisar de um plano de trabalho, porque hoje a receita não cobre a despesa então optamos em nomear alguém de carreira, isso para enxugar a folha de pagamento e para ter o tempo necessário para que se façam as alterações ainda para que equalize entre receita e despesa daquela autarquia.
Em 143 anos, é a primeira vez que a terceira via está no poder em Urussanga. O sr avalia que esse episódio pode mudar a história política de Urussanga?
Eu tenho comigo que mudar um processo histórico é muito difícil porque a tendência é seguir o caminho que apresenta maior segurança. Mas Urussanga viu agora nesses 120 dias um grupo de pessoas que está a frente, com ideias novas e é uma oportunidade sim para que a gente possa em 2024 estar disputando uma eleição e quem sabe porque não, mudar um pouco a história política de Urussanga.
O sr tem essa intenção de disputar a prefeitura de Urussanga em 2024?
Se você me perguntasse lá em 2016 se eu seria candidato a um outro cargo político eu diria que eu ia cumprir com meu papel de vereador. Eu não seria candidato à reeleição como vereador e isso o partido sabia. Agora se houvesse oportunidade eu poderia até disputar. Mas eu sempre avalio que quem decide isso não somos nós. Nós temos que saber se o eleitor recebe bem essa mensagem, se nós somos bem avaliados, se o nome atende aquilo que o eleitor espera. Se isso tudo estiver conjugado e eu estiver disposto, por que não?

